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sábado, 29 de junho de 2013

Conversa de duas amigas ao telefone.

Conversa de duas amigas ao telefone

Maria: E aí, amiga? Dançou muito ontem?
Ana: Um pouco. Estava cansada.
Maria: Consertei meu carro. Vamos juntas hoje?
Ana: Não dá... O Mário vem me pegar hoje...
Maria: Mário? Quem é Mário?
Ana: Alguém que conheci ontem, você não conhece.
Maria: Sem problema, podemos ir todos juntos. Passo aí na tua casa. Ok?
Ana: O Mário é muito reservado...

Um respeitável intervalo de tempo...

Ana, prosseguindo: Maria, você é minha amiga há muito tempo. Por favor, compreenda...
Maria: Sem problema, Ana. Eu não sou boa companhia mesmo. Agora que arrumou namorado...
Ana, interrompendo: Não é nada disso que você está pensando, estamos simplesmente nos conhecendo.
Maria: Tá... Vou acreditar que você me descarta como se fosse lixo e não estão namorando. Faça-me o favor, Ana...
Ana: Você está me compreendendo mal, Maria. Eu preciso de intimidade com o Mário, conhecê-lo melhor, saber o que ele pensa e gosta. Aí poderíamos ir juntos a todas as casas noturnas que você quisesse...
Maria: Não seja irônica comigo, Ana. Eu te conheço muito bem. Basta dizer que não quer ser mais minha amiga, eu saberei entender. Rei morto, rei posto, não é?
Ana: Se fosse com você, Maria, eu seria compreensiva. Eu tenho direito de tentar encontrar minha felicidade...
Maria: Entendi, amiga. Não serei eu empecilho pra vocês. A propósito, não precisa me explicar nada: agora sei a boa amiga que você é!  

Novo intervalo...

Maria, continuando: Tive uma ideia! Você vai ao carro do seu namorado e eu no meu, mas podemos ficar na mesma mesa. Aí você me apresenta o Mário. Está bem assim pra você?
Ana: Não é que eu não queira sua companhia, mas prefiro ficar a sós com Mario. Ainda estou conhecendo-o. Com o tempo tudo fica mais fácil...
Maria: Tá bem, Ana. Mas você é bem grandinha, sabe muito bem como os homens são. Quando levar um pé na bunda, não me venha procurar pra chorar as mágoas. Tá?
Ana: Não precisa usar de grosseria, Maria. Se você não  consegue entender, sinto muito, nada posso fazer.
Maria: Grossa é você. Tchau.
E desliga o telefone.

                                                                                                                             Rogerio Sansevero


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