Conversa de duas amigas ao telefone
Maria: E aí, amiga? Dançou muito
ontem?
Ana: Um pouco. Estava cansada.
Maria: Consertei meu carro.
Vamos juntas hoje?
Ana: Não dá... O Mário vem me
pegar hoje...
Maria: Mário? Quem é Mário?
Ana: Alguém que conheci ontem,
você não conhece.
Maria: Sem problema, podemos ir
todos juntos. Passo aí na tua casa. Ok?
Ana: O Mário é muito
reservado...
Um respeitável intervalo de
tempo...
Ana, prosseguindo: Maria, você é
minha amiga há muito tempo. Por favor, compreenda...
Maria: Sem problema, Ana. Eu não
sou boa companhia mesmo. Agora que arrumou namorado...
Ana, interrompendo: Não é nada
disso que você está pensando, estamos simplesmente nos conhecendo.
Maria: Tá... Vou acreditar que
você me descarta como se fosse lixo e não estão namorando. Faça-me o favor,
Ana...
Ana: Você está me compreendendo
mal, Maria. Eu preciso de intimidade com o Mário, conhecê-lo melhor, saber o
que ele pensa e gosta. Aí poderíamos ir juntos a todas as casas noturnas que
você quisesse...
Maria: Não seja irônica comigo,
Ana. Eu te conheço muito bem. Basta dizer que não quer ser mais minha amiga, eu
saberei entender. Rei morto, rei posto, não é?
Ana: Se fosse com você, Maria,
eu seria compreensiva. Eu tenho direito de tentar encontrar minha felicidade...
Maria: Entendi, amiga. Não serei
eu empecilho pra vocês. A propósito, não precisa me explicar nada: agora sei a
boa amiga que você é!
Novo intervalo...
Maria, continuando: Tive uma
ideia! Você vai ao carro do seu namorado e eu no meu, mas podemos ficar na
mesma mesa. Aí você me apresenta o Mário. Está bem assim pra você?
Ana: Não é que eu não queira sua
companhia, mas prefiro ficar a sós com Mario. Ainda estou conhecendo-o. Com o
tempo tudo fica mais fácil...
Maria: Tá bem, Ana. Mas você é bem
grandinha, sabe muito bem como os homens são. Quando levar um pé na bunda, não
me venha procurar pra chorar as mágoas. Tá?
Ana: Não precisa usar de
grosseria, Maria. Se você não consegue
entender, sinto muito, nada posso fazer.
Maria: Grossa é você. Tchau.
E desliga o telefone.
Rogerio Sansevero
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