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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Aposentei-me, e agora?


Aposentei-me, e agora?

                Nossos avós se aposentavam cedo, mas também a sua vida média era bem menor que a dos brasileiros da atualidade, beneficiados pelos avanços na Medicina, na produção de alimentos e medicamentos, além de mais informação sobre Saúde.
                Quem chegava aos 60 anos, há bem pouco tempo atrás, era exceção e quase sempre era um velhinho, na expressão da palavra, com quase nenhuma expectativa de viver mais alguns anos. Hoje, aquele que chega a essa idade têm uma sobrevida de 25 anos em média, muito tempo, pouco mais de um terço de vida a mais.
                O que nos perguntamos é o que fazer com esse tempo. Óbvio que descansar um pouco não faz mal a ninguém, mas permanecer parado por tanto tempo vai trazer ao indivíduo doenças degenerativas como o Mal de Parkinson, Alzheimer e demência, importantes componentes de um grave quadro de saúde. Além da depressão. A inércia, a monotonia, decorrentes do isolamento e do abandono a que muitos idosos se vêm subordinados, os leva a uma sensação de inutilidade, a sentirem que já morreram para a participação da vida social. É claro que tudo isso compromete a saúde e a qualidade de vida dos idosos.
                Como driblar essa situação? A solução é uma segunda carreira, consequentemente uma fonte de renda extra, um motivo para preencher o tempo com algo útil e uma atividade prazerosa, pois nessa etapa da vida o indivíduo pode se dar ao luxo de fazer o que gosta. Isso é fórmula para se manter saudável e independente até o último dia de vida. E bem acompanhados, haja vista que Albert Einstein, Oscar Niemeyer, Antônio Ermírio de Moraes, Cora Coralina, entre outros, trabalharam pelo bem da Sociedade até os últimos dias de vida.
                Finalmente, é relevante lembrar que para a concretização dessa segunda carreira o idoso irá contar com tempo — o que ele mais tem —, com a sua experiência de vida e com a rede de contatos conquistada ao longo de longos anos no mercado de trabalho. 

                                                                                                                    Rogerio Sansevero                                    
O que é letramento.

                                                                    Letramento

Letramento, método não é
Mas certamente anúncio de café
Mapa de Taubaté, de Avaré
Uma reza com fé, diário do José
Recado na porta da geladeira
Lista da cozinheira
Da lavadeira, da faxineira
Notícias da televisão, diversão
Placa de sinalização, carta e cartão
Não há método de letramento
Nem construtivista, acrescento
O que há é conceito
E dê-se por satisfeito

Seria, então, alfabetização?
Embora a inclua, também não
Mas manual de instrução
Bilhete da namorada
Receita de macarronada
Manchete estampada
Campanha divulgada
Assistência ofertada
No filme Central do Brasil
Uma senhora gentil
Carta escreve a pedido
Para o povo agradecido
Que não sabe escrever
Mas letrado, digo ser
Quem sabe, habilidade seria?
Não, eu não mentiria
Letramento, delas é conjunto


Refletindo este assunto
Por exemplo, o aluno
Avaliou que o curso é oportuno
Para aqui estar
Foi ao banco pagar
Sua inscrição, e assim
Se diplomar, por fim
Se empenhando, estudando
Pelas ruas caminhando
Para aqui chegar
Se deixando avaliar.
Letramento é então?
Prática de inserção
Social do cidadão
Que envolve a escrita
E tudo que necessita

Prof. Rogerio Sansevero