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segunda-feira, 6 de julho de 2020


Festa junina!

Festa junina é diversão
Pamonha, pé de moleque, quentão; rasga o céu um rojão
Casamento caipira, fogueira, quadrilha
Bandeirolas ao vento, e olha que a lua brilha!

E o mais esperado, o casamento
Sem lugar para arrependimento
Da noiva feliz e do noivo, contrariado
Olha que o pai da noiva está armado!

O povo observa atento o matrimônio
Salve, salve Santo Antônio!
Salve, salve a espingarda!
E o povo na retaguarda!

Os noivos logo dizem o sim
Sinalizando do ritual, o fim
Um ao outro, dá aliança
Que vai começar a dança!

A festa vai esquentando
Na paróquia da cidade
Vai o povo festejando
Com muita cordialidade

A quadrilha ligeira, serpenteia
Pra subir em pau de sebo, só areia
O animador conduz os dançarinos
Com seus melhores figurinos

As pessoas se acotovelam
E seus desejos revelam
Quero canjica! Pastel! Pipoca!
Arroz doce! Cocada! Paçoca!

Quero vinho quente, quentão!
Caldo verde, caldinho de feijão!
Curau, maçã do amor!
E tudo com bom humor!
Inesperadamente, forte ventania
Como há muito não se via
Espalha no céu nuvens densas
Em profundezas imensas

Rapidamente, o Firmamento se oculta
O troar dos relâmpagos avulta
E lá vem a tempestade
Que rápida tudo invade  

Badala o sino da igreja
Raios riscam o céu, relampeja
Ecoa no espaço infinito
O trovão e seu veredito

O temporal precipita 
Uma mulher procura o filho, aflita, grita
A multidão se espalha
É um Deus nos acuda, que Deus nos valha!

O caos se faz no arraial
É um pandemônio total
Pratos, chapéus, fagulhas voam pelo ar
Separam-se os pares, com pesar

As moças prendem seus vestidos de chita
Pois o vento não hesita
Eis que avisto a donzela mais bela
Tão linda como uma tela, singela

Cabelos negros ao vento, cinturinha de pilão
Pra roubar meu coração
De amor me completa
O amor que a vida repleta

E a noite serena
Diante da bela morena
De seu misterioso olhar
Que eu sonho desvendar

                                                                                              Rogerio Sansevero

Festa junina! Festa junina é diversão Pamonha, pé de moleque, quentão; rasga o céu um rojão Casamento caipira, fogueira, quadrilha Bandeirolas ao vento, e olha que a lua brilha! E o mais esperado, o casamento Sem lugar para arrependimento Da noiva feliz e do noivo, contrariado Olha que o pai da noiva está armado! O povo observa atento o matrimônio Salve, salve Santo Antônio! Salve, salve a espingarda! E o povo na retaguarda! Os noivos logo dizem o sim Sinalizando do ritual, o fim Um ao outro, dá aliança Que vai começar a dança! A festa vai esquentando Na paróquia da cidade Vai o povo festejando Com muita cordialidade A quadrilha ligeira, serpenteia Pra subir em pau de sebo, só areia O animador conduz os dançarinos Com seus melhores figurinos As pessoas se acotovelam E seus desejos revelam Quero canjica! Pastel! Pipoca! Arroz doce! Cocada! Paçoca! Quero vinho quente, quentão! Caldo verde, caldinho de feijão! Curau, maçã do amor! E tudo com bom humor! Inesperadamente, forte ventania Como há muito não se via Espalha no céu nuvens densas Em profundezas imensas Rapidamente, o Firmamento se oculta O troar dos relâmpagos avulta E lá vem a tempestade Que rápida tudo invade Badala o sino da igreja Raios riscam o céu, relampeja Ecoa no espaço infinito O trovão e seu veredito O temporal precipita Uma mulher procura o filho, aflita, grita A multidão se espalha É um Deus nos acuda, que Deus nos valha! O caos se faz no arraial É um pandemônio total Pratos, chapéus, fagulhas voam pelo ar Separam-se os pares, com pesar As moças prendem seus vestidos de chita Pois o vento não hesita Eis que avisto a donzela mais bela Tão linda como uma tela, singela Cabelos negros ao vento, cinturinha de pilão Pra roubar meu coração De amor me completa O amor que a vida repleta E a noite serena Diante da bela morena De seu misterioso olhar Que eu sonho desvendar Rogerio Sansevero

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Aposentei-me, e agora?


Aposentei-me, e agora?

                Nossos avós se aposentavam cedo, mas também a sua vida média era bem menor que a dos brasileiros da atualidade, beneficiados pelos avanços na Medicina, na produção de alimentos e medicamentos, além de mais informação sobre Saúde.
                Quem chegava aos 60 anos, há bem pouco tempo atrás, era exceção e quase sempre era um velhinho, na expressão da palavra, com quase nenhuma expectativa de viver mais alguns anos. Hoje, aquele que chega a essa idade têm uma sobrevida de 25 anos em média, muito tempo, pouco mais de um terço de vida a mais.
                O que nos perguntamos é o que fazer com esse tempo. Óbvio que descansar um pouco não faz mal a ninguém, mas permanecer parado por tanto tempo vai trazer ao indivíduo doenças degenerativas como o Mal de Parkinson, Alzheimer e demência, importantes componentes de um grave quadro de saúde. Além da depressão. A inércia, a monotonia, decorrentes do isolamento e do abandono a que muitos idosos se vêm subordinados, os leva a uma sensação de inutilidade, a sentirem que já morreram para a participação da vida social. É claro que tudo isso compromete a saúde e a qualidade de vida dos idosos.
                Como driblar essa situação? A solução é uma segunda carreira, consequentemente uma fonte de renda extra, um motivo para preencher o tempo com algo útil e uma atividade prazerosa, pois nessa etapa da vida o indivíduo pode se dar ao luxo de fazer o que gosta. Isso é fórmula para se manter saudável e independente até o último dia de vida. E bem acompanhados, haja vista que Albert Einstein, Oscar Niemeyer, Antônio Ermírio de Moraes, Cora Coralina, entre outros, trabalharam pelo bem da Sociedade até os últimos dias de vida.
                Finalmente, é relevante lembrar que para a concretização dessa segunda carreira o idoso irá contar com tempo — o que ele mais tem —, com a sua experiência de vida e com a rede de contatos conquistada ao longo de longos anos no mercado de trabalho. 

                                                                                                                    Rogerio Sansevero                                    
O que é letramento.

                                                                    Letramento

Letramento, método não é
Mas certamente anúncio de café
Mapa de Taubaté, de Avaré
Uma reza com fé, diário do José
Recado na porta da geladeira
Lista da cozinheira
Da lavadeira, da faxineira
Notícias da televisão, diversão
Placa de sinalização, carta e cartão
Não há método de letramento
Nem construtivista, acrescento
O que há é conceito
E dê-se por satisfeito

Seria, então, alfabetização?
Embora a inclua, também não
Mas manual de instrução
Bilhete da namorada
Receita de macarronada
Manchete estampada
Campanha divulgada
Assistência ofertada
No filme Central do Brasil
Uma senhora gentil
Carta escreve a pedido
Para o povo agradecido
Que não sabe escrever
Mas letrado, digo ser
Quem sabe, habilidade seria?
Não, eu não mentiria
Letramento, delas é conjunto


Refletindo este assunto
Por exemplo, o aluno
Avaliou que o curso é oportuno
Para aqui estar
Foi ao banco pagar
Sua inscrição, e assim
Se diplomar, por fim
Se empenhando, estudando
Pelas ruas caminhando
Para aqui chegar
Se deixando avaliar.
Letramento é então?
Prática de inserção
Social do cidadão
Que envolve a escrita
E tudo que necessita

Prof. Rogerio Sansevero