Festa junina!
Festa junina é diversão
Pamonha, pé de moleque, quentão; rasga o céu
um rojão
Casamento caipira, fogueira, quadrilha
Bandeirolas ao vento, e olha que a lua brilha!
E o mais esperado, o casamento
Sem lugar para arrependimento
Da noiva feliz e do noivo, contrariado
Olha que o pai da noiva está armado!
O povo observa atento o matrimônio
Salve, salve Santo Antônio!
Salve, salve a espingarda!
E o povo na retaguarda!
Os noivos logo dizem o sim
Sinalizando do ritual, o fim
Um ao outro, dá aliança
Que vai começar a dança!
A festa vai esquentando
Na paróquia da cidade
Vai o povo festejando
Com muita cordialidade
A quadrilha ligeira, serpenteia
Pra subir em pau de sebo, só areia
O animador conduz os dançarinos
Com seus melhores figurinos
As pessoas se acotovelam
E seus desejos revelam
Quero canjica! Pastel! Pipoca!
Arroz doce! Cocada! Paçoca!
Quero vinho quente, quentão!
Caldo verde, caldinho de feijão!
Curau, maçã do amor!
E tudo com bom humor!
Inesperadamente, forte ventania
Como há muito não se via
Espalha no céu nuvens densas
Em profundezas imensas
Rapidamente, o Firmamento se oculta
O troar dos relâmpagos avulta
E lá vem a tempestade
Que rápida tudo invade
Badala o sino da igreja
Raios riscam o céu, relampeja
Ecoa no espaço infinito
O trovão e seu veredito
O temporal precipita
Uma mulher procura o filho, aflita, grita
A multidão se espalha
É um Deus nos acuda, que Deus nos valha!
O caos se faz no arraial
É um pandemônio total
Pratos, chapéus, fagulhas voam pelo ar
Separam-se os pares, com pesar
As moças prendem seus vestidos de chita
Pois o vento não hesita
Eis que avisto a donzela mais bela
Tão linda como uma tela, singela
Cabelos negros ao vento, cinturinha de pilão
Pra roubar meu coração
De amor me completa
O amor que a vida repleta
E a noite serena
Diante da bela morena
De seu misterioso olhar
Que eu sonho desvendar
Rogerio
Sansevero

